Testador de Componentes M8 ou T8 – O que ninguém conta para você

No meu post Testador de Componentes M8 ou T8 de 13/08/2021 eu apresentei este testador junto com um vídeo mostrando, em linhas gerais, o que este “teste X-Tudo” faz (ou promete fazer), bem como a sua calibração.

Fiquei também de apresentar, em outra oportunidade, a sua instalação dentro de uma caixinha que havia comprado na Banggood, assim que ela chegasse.

Pois bem, a caixinha chegou e junto com ela uma decepção.

A versão do testador que eu havia comprado e apresentei no vídeo, não era compatível com a tal caixinha.

Desta forma, acabei retomando para a minha ideia inicial de colocar o testador numa caixinha da Patola que eu tinha por aqui e vai mostrada na fig.1.

Fig. 1 – Testador de componentes montado numa caixa Patola

Iguais mas diferentes

Poucos dias depois, meus amigos Prof. Cesar Bastos e Prof. Fernando José, influenciados pelo meu artigo, compraram um destes “testadores X-Tudo” no Aliexpress e assim surgiu este novo post – Testador de Componentes M8 ou T8 – O que ninguém conta para você e vídeo que complementa o anterior.

O Prof. Cesar deixou o dele comigo para que eu avaliasse e, de cara, descobri que a versão que eles haviam comprado era um pouco diferente da minha como vemos na fig.2.

Fig. 2 – Duas versões de Testador de Compnentes

Aparentemente a versão da direita que meus amigos compraram e que passo a denominar como “B” era “melhor” que a minha que está à esquerda que será identificada como “A” pois, a versão B fazia algumas medições a mais que a versão A.

Girando a chave de encoder (não é potenciômetro) construí a tabela abaixo para começar a comparar as funções de cada um dos testadores.

No testador A não temos nada de especial entretanto, no B aparecem mais algumas funções (nas linhas em amarelo) que não são tão óbvias e sobre as quais iremos conversar ao longo deste post.

Começarei pela função TRANSISTOR que aparece nos dois modelos mas, tem comportamentos um pouco diferentes em cada um.

Usei um transistor de potência 2SA1914, escolhido aleatoriamente, para mostrar as diferença.

No modelo “A” que aparece na fig.3 temos as seguintes informações:  BJT – PNP, B = 82 e Vf = 530mV.

Fig. 3 – Teste do 2SA1941 na versão “A”

Agora veja a leitura que aparece no modelo B que está mostrada na fig.4.

Fig.4 – Teste do 2SA1914 na versão B

BJT – PNP, hFE = 80, Ie 6,4mA, Vbe = 533mV.

Você deve ter notado que no modelo A apareceu B = 82 que é beta enquanto no modelo B temos hFE = 82.

Embora beta e hFE não sejam exatamente a mesma coisa, os valores podem ser próximos dependendo de como a medida é realizada.

O Vbe, que é aquele valor que aparece na escala de diodo do multímetros digitais, deu praticamente o mesmo para os dois modelos.

A novidade é que o modelo B mostrou também Ie = 6,4mA.

E que corrente é esta?

Eu suponho que seja a corrente usada para o teste, mas não posso afirmar.

Vejamos agora o que acontece ao tentar testar o transistor BC517 que é um Darlington NPN.

O modelo A mostrou resultados significativamente diferentes a cada medição e com valores de beta muito maiores que indicado no data sheet, enquanto o modelo B apresentou pequenas variações e o hFE mais próximo do data sheet.

A próxima tentativa foi com Darlington TIP 127.

Ambos os medidores falharam drasticamente na leitura do beta ou hFE mostrando valores próximo de 30 e portanto, muito baixos para um Darlington.

O que ocorre é que o TIP127 tem resistores internos, como vemos na fig.5 e neste caso ambos os medidores se “perdem” e não conseguem fazer uma leitura correta.

Fig.5 – TIP127

Até aqui eu diria que nenhum dos dois modelos ajuda totalmente na tentativa de identificar parâmetros de transistores.

Caberá ao técnico concluir se existe coerência ou não nos resultados obtidos.

Em outras palavras, não é um instrumento para um curioso e sim, para um Técnico (com t maiúsculo).

Ainda na função TRANSISTOR consegui identificar MOSFETs, inclusive indicando se era tipo D ou tipo E além do Canal.

O que senti falta no modelo B foi não mostrar o valor de RDS, que é bastante importante.

Diodos podem ser avaliados na função transistor, mas nenhum dos dois identifica se é um retificador, um Zener ou um Schottky.

Pelo valor obtido na leitura de Vf pode-se “desconfiar” que se trata de um diodo Schottky cujo Vf é bem menor que o dos diodos retificadores comuns.

Numa escala de 0 a 5 eu daria nota 3 para esta função no modelo B e nota 4 no modelo A.

Medições em capacitores

Na linha 6 da tabela vemos que ambos medem a capacitância e o ESR colocando-se o capacitor entre os pinos 1 e 3.

Nesta opção podemos medir capacitores entre 2uF e 50mF ou 50.000uF.

No modelo A temos uma opção que aparece na linha 7 com o símbolo de um capacitor entre 1 e 3.

Nela medimos capacitores menores de 2uF.

No modelo B não aparece esta opção mas, temos um truque para medir capacitores de baixa capacitância.

Primeiro colocamos o capacitor entre os pinos 1 e 3. A seguir pressionamos a chave que fica no encoder para ligar o testador.

O mesmo procedimento para medir resistores e indutores no Modelo B.

O modelo A conta com uma função específica para medir capacitores menores que 2uF como aparece na linha 8 da tabela.

Na linha 8 da tabela temos o símbolo de um resistor e um indutor para o modelo B.

Nesta posição podemos medir resistores e indutores.

No modelo A não temos esta função mas, podemos usar o mesmo “truque” que usamos para medir capacitores menores que 2uF, ou seja, primeiro colocamos o indutor entre os pinos 1 e 3 e a seguir pressionamos a chave que fica no encoder para ligar o testador.

Funções “especiais” no modelo “B”

Voltando à tabela vemos algumas funções nas linhas 9 até 11 que só estão presentes no modelo “B”.

São elas:

DS18B20 – Termômetro digital com 1 terminal para protocolo de comunicação

C(uF) – Correction   – Segundo o manual é uma correção para capacitores, não entendi como funciona.

R_Decoder – Sensor Decodificador de Infravermelho

IR_Encoder – Sensor Codificador de Infravermelho

DHT11 – Sensor medidor de temperatura e umidade

Estas funções são particularmente úteis para a turma do Arduino, por exemplo, e não irei tratar delas neste momento.

Na linha 19 na tabela aparece “VOLTAGE”.

Ela usada para medir tensões DC de 50V no máximo.

Eu, particularmente, acho uma bobagem incluir isso neste tipo de testador e não recomendo o seu uso.

Qualquer bobeada e “era uma vez” um testador tão bonzinho!

Temos ainda as funções FrontColor que permite muda a cor da letras e dos números e na BackColor podemos alterar a cor de fundo do display.

Uma firula inútil, a meu ver.

A função Show Data que está presente nos dois modelos mostra todos os caracteres e símbolos que podem ser mostrados no painel.

Comprar ou não comprar, eis a questão

Se você está à procura do instrumento perfeito capaz de medir “tudo” e poder acreditar piamente em todas as informações que lhe mostrar pode desistir. Este instrumento não existe.

Por outro lado, toda ferramenta ou instrumento de teste só é útil nas mãos de quem sabe usá-la ou sabe o que está medindo.

Como eu disse anteriormente, não é um instrumento para curiosos.

Aliás, tenho repetido sempre que, no mundo tecnológico, não há mais espaço para amadores.

Considerando o valor relativamente baixo, eu recomendaria a compra para que ele venha a se juntar a outros instrumentos da sua bancada e ajudar no trabalho do dia a dia de um Técnico, seja no reparo ou desenvolvimento de projetos.

No vídeo a seguir você irá acompanhar praticamente algumas medições feitas com estes testadores “X-Tudo”!

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Paulo Brites

Técnico em eletrônica formado em 1968 pela Escola Técnica de Ciências Eletrônicas, professor de matemática formado pela UFF/CEDERJ com especialização em física. Atualmente aposentado atuando como técnico free lance em restauração de aparelhos antigos, escrevendo e-books e artigos técnicos e dando aula particular de matemática e física.

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8 Comentários

  1. marco antonio dos santos xavier antonio

    ola ,bom dia.Paulo,sou tecnico em eletronica formado no CETN em Taguatinga DF,me especializei em manutençao em potencias proficionais analogicas e digitais,comprei o testador lcr-tc1,devido a enchurrada de componentes falsos,uso ele p casar transistores e fets nos amplificadores. ex:amplificador tip 5000 da ciclotron usa 18 pares de transistores, p casar os pares uso ele,mas sempre falta algo,QUERIA um conselho,claro comprar componentes de firmas séria,pela sua experiencia qual melhor metodo de casamento dos transistores e fets.

    • Paulo Brites

      Olá Marco
      A questão é que essa maneira de “casar” até poderia funcionar se os transistores não forem Fakes. O fato de você te encontrar dois como mesmo ganho não prova que eles vão aguentar o tranco. Já passei por isso.
      Veja este post
      https://www.paulobrites.com.br/o-reparo-yamaha-a100a-e-o-transistor-falsificado/
      Saber se é fake é mais complicado.
      Tem um artigo na Revista Antenna (pode baixar aqui no site) que dá algumas dicas É do Marcelo Yared Umas das primeiras de 2020.
      Estou pensando em publicar algo sobre isso Falta tempo.
      Quanto a comprar componentes “sérios”, no Brasil pode ser que tenha que venda mas não conheço mais ninguém. Lá fora tem a Mouser e Farnell, o problema é que chega muito caro por aqui principalmente por causa do frete.
      O lance é conseguir quem traga na bagagem.

  2. Fábio

    Eu comprei o modelo “A” sem caixa e uso assim até hoje… muito tempo antes eu havia montado um testador desses com um semi-arduino (placa de um arduino sem chip FTDI) e um display 2×16 seguindo o projeto “transistor tester” que encontramos por aí e que é o projeto original desse testador vendido nos sites chineses.
    Para mim o que mais vale a pena nesse testador é o teste de ESR de capacitores.

    • Paulo Brites

      Olá Fábio
      Eu diria que é um testador a mais, principalmente útil para quem tem pouco conhecimento técnico. Pode ajudar a determinar rapidamente os terminais de transistores, por exemplo.
      A medida de beta, hfe ou hFE não é confiável como em todos eles, inclusive, nos multímetros digitais pois depende dos parâmetros utilizados para fazer a medida. Em breve pretendo escrever um atigo sobre isto.
      Não pode ser levada em consideração como valor absoluto e sim, relativo para determinarmos, por exemplo pares casados.
      Finalmente, obrigado pela sua participação.

  3. Rodrigo

    E eu aqui achando que tava abafando com o meu LCR-T4… Não sabia que existia o T5, que dirá o T8, kkkkkk

    • Paulo Brites

      Pois é Rodrigo, a fila anda e a gente nem percebe.
      Cada vez mais nada é definitivo na tecnologia.
      Foi-se o tempo que se resolvia tudo (ou quase tudo) com um BOM analógico.

  4. ANTONIO HENRIQUE GRIZOTTI

    Professor, boa tarde. Seu vídeo, pelo menos para mim, está sem áudio do minuto 7:57 até o minuto 28:47.

    • Paulo Brites

      Obrigado por me avisar
      E a segunda vez que isso acontece quando dou pausa. Vou tirá-lo do ar para revisar amanha.

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