STKs falsificados, como resolver

Não é de hoje que componentes eletrônicos são falsificados na Terra que alguns “!!!” acham que é plana.

Seria bom se a Terra fosse mesmo plana, assim os desonestos que a habitam quando chegassem na “beirada” caiam no abismo e não ficariam dando voltas no planeta lucrando às custas de suas falcatruas.

Em 2005 eu já havia publicado um artigo sobre STKs falsificados no saudoso Boletim da Áudio & Vídeo Brites.

Estes CIs, fabricados originalmente pela Sanyo, se dividem em duas categorias, a saber, reguladores de voltagem e amplificadores de áudio e há muito tempo não são mais fabricados “oficialmente”.

Até uns dois ou três anos, mais ou menos, podíamos encontrar substitutos confiáveis fabricados pela RCA e a NTE, mas estes inclusive não se encontram mais e se conseguirmos será por valores proibitivos.

Entretanto, temos muitos receivers por aí, ainda em bom estado que usam estas raridades e que seria um desrespeito com o planeta jogá-los no lixo por conta de um STK queimado.

Recentemente me vi as voltas com a necessidade de substituir dois STK080 num Marantz SR2000 que, além de estar impecavelmente conservado, tinha um valor sentimental muito grande para o seu proprietário.

Uma solução plausível seria substituir os dois STK080 por amplificadores transistorizados compatíveis em termos de tensão de alimentação e potência sem esquecermos que deveriam ter baixa distorção.

Além disso, por questão de espaço não seria possível utilizarmos transistores com encapsulamento TO3, como o do famoso 2N3055 (outro campeão de falsificações).

O ideal seria usar transistores TO247 que poderiam ser aparafusados no dissipador onde ficam os STKs.

Em resumo, os amplificadores “substitutos” deveriam trabalhar com alimentação simétrica de +/- 40V e fornecer 30W RMS por canal.

Com essas especificações na cabeça comecei a vasculhar a Internet a ver se, por sorte, encontraria algum kit que se enquadrasse.

A sorte veio e encontrei no Mercado Livre uma empresa – Catshame -que fornecia várias soluções em kits.

Dentre eles, um em particular, poderia me atender. Utilizava o par de transistores Toshiba 2SC5200 e 2SA1193 cuja foto está na fig.1.

Fig.1 – Kit de amplificador da Catshame

O preço era bem acessível, R$ 60,00 por kit e na compra de dois não teria frete.

Resolvi arriscar e não me arrependi.

O esquema prometido no anúncio não veio na embalagem, mas entrei em contato com a empresa pelo whats app e me mandar o arquivo que reproduzo na fig.2

Fig.2 – Esquema do amplificador da Catshame

No esquema temos a lista de componentes e algumas instruções quanto a alimentação e ganho.

Uma coisa que senti falta foi a informação do valor da tensão do sinal de entrada. Conclui com algumas medidas que deve ser 100mV.

No meu caso como a alimentação é de +/-40V tive que trocar os resistores R8 e R9 para 8k2 que vieram com 15k.

Instalando os kits e fazendo testes

Após a remoção dos STKs e tudo que não seria mais necessário para obter mais espaço fiz novas furações no dissipador para prender os transistores com seus respectivos isoladores uma vez que os coletores estão ligados a parte metálica dos mesmos.

Na fig. 3 podemos ver como ficou.          

Fig.3 – Montagem dos kits de amplificado no Marantz SR2000

                                          

Por precaução, instalei inicialmente, o kit de um canal, liguei via lâmpada série fui aumentando o volume lentamente para ouvir como se comportava o som em FM.

Aparentemente tudo bem, nenhuma fumacinha de incenso de elétrons. Já podia partir para instalação do segundo canal.

Até aqui estamos indo bem.

A hora da verdade, analisando as saídas no osciloscópio.

Testar um amplificador apenas ouvindo o som não é, digamos assim, muito profissional, nossos ouvidos podem nos enganar.

Precisamos, no mínimo, verificar se os dois canais estão oferecendo a mesmo potência para o mesmo sinal de entrada e se não há distorção quando aumentamos o volume, além de ver como as fontes de alimentação se comportam.

É claro que não iremos realizar estes testes com alto falantes ligados.

No lugar deles devemos usar como carga resistores adequados com relação a resistência e a potência de dissipação.

O próximo passo é injetar um sinal de 1KHz no amplificador com o nível sugerido pelo fabricante.

Utilizei a entrada auxiliar com 160mV RMS que é o valor que aparece no manual da Marantz para o SR 2000.

Feito isso coloquei as duas ponteiras do osciloscópio nas saídas de alto falantes onde estavam ligados os resistores de carga de 8 ohms cada.

Fui aumentado o volume lentamente e observando as forma de onda e anotando os valores de tensão para posteriormente poder calcular a potência e concluir que se estava compatível com o previsto.

Os resultados você vê no vídeo abaixo, mas antes deixo um manifesto (que não é anti democrático rsrsrs) sobre reparação para reflexão.

CLIQUE NA IMAGEM ACIMA E BAIXE O PDF DO MANIFESTO PELO REPARO

Paulo Brites

Técnico em eletrônica formado em 1968 pela Escola Técnica de Ciências Eletrônicas, professor de matemática formado pela UFF/CEDERJ com especialização em física. Atualmente aposentado atuando como técnico free lance em restauração de aparelhos antigos, escrevendo e-books e artigos técnicos e dando aula particular de matemática e física.

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6 Comentários

  1. paulo fernando

    Oi Paulo Brites… bom dia!! Perdi o tesão de reparar os AIKO para amigos exatamente pelo fato de não encontrar os saídas originais. Até já cheguei a ter um mas acabei me desfazendo pela dificuldade de algumas peças. Há uns três anos cheguei a comprar, presencialmente, um lote de STK’s uma loja (única!) de eletrônica em Ubá, Minas Gerais, todo empoeirado, na esperança de que aquilo, naquelas condições, naqueles confins, cheirava a original. Ledo engano! Tudo falsificado. Cinco minutos e fumaça. Já vi algumas opções de venda desse saída na Internet, mas nenhuma com essas condições que Vc. descreve. Grato por mais essa aula. Em tempo: comprei, hoje, seu livro SherlockHolmes e a Oficina de Reparos em Eletrônica e estou me deliciando com os “causos” relatados. Muito bom. Abraços! Paulo Fernando de Figueiredo/RJ.

    • paulo fernando

      Em tempo: a loja era de Ubá pois estava a passeio por lá, onde tenho parentes, mas sou carioca, morador do Rio de Janeiro, Catete, como Vc. Abraços. Faça mais livros interessantes como esse esse do Sherlock Holmes! Compro todos!

      • Paulo Brites

        valeu, Paulo

        Depois conta o que achou e se conseguiu virar um Sherlock ….

    • Paulo Brites

      Olá Paulo
      Realmente o espaço dentro dentro do AIKO é tipo kitnet (sem trocadilho) existe um kit com o TDA2003 que talvex possa resolver Procura o A-10 em http://www.alfakits.com

  2. Warley cedar

    Louvável seu esforço na resucitação do valioso receber na próxima ver amplificador de bunker no site da eletrônica silveira a construção é do Eng Douglas Self excelente.

    • Paulo Brites

      Obrigado pela participação

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