HDMI – O serial killer dos televisores, notebooks & receivers – Parte 1

O meu post Cuidado com o Conector HDMI – Não queime seu televisor, publicado em abril de 2019, virou um verdadeiro “post das lamentações” com mais de 50 comentários dos leitores.

Por isso, resolvi voltar ao tema neste post HDMI – O serial killers dos televisores, notebooks & receivers. 

Alguns contam suas histórias tristes com o HDMI que parece ter se tornado o serial killers dos televisores, notebooks & receivers e outros leitores pedindo que eu dê uma ajudinha para evitar, uma “desgraça anunciada”, parafraseando o título do livro de Gabriel Garcia Márquez.

Tenho respondido a todos os comentários como sempre faço mas, sem apresentar a solução para os sofredores, ou seja, a desejada “bala de prata” para liquidar definitivamente este novo hightech serial killer.

Pois bem, resolvi me debruçar sobre o tema e embora não tenha a solução definitiva para o HDMI – O serial killers dos televisores, notebooks & receivers vou tentar dar algumas sugestões que, espero, ajudem, na melhor das hipóteses, a minimizar o problema.

Vou dividir o tema em duas partes.

Nesta primeira parte tratarei da instalação elétrica que, ouso dizer, pode estar na raiz da maioria das “desgraças” e que, em geral, é menosprezada.

O mínimo que TODO MUNDO precisa saber sobre a rede elétrica e os aparelhos “modernos”

Com a variedade de equipamentos eletrônicos de áudio e vídeo que temos atualmente em nossas casas e, o que é mais sério, que se conectam uns aos outros, a boa qualidade da instalação elétrica, mais do que sempre, passou a ser crucial.

Foi se o tempo em que a única coisa que se ligava a um televisor “caixotão” era um vídeo cassete.

Assim mesmo, nos primórdios daquela “evolução tecnológica”, a ligação entre o televisor e o “sonho de consumo” da época, vídeo cassete, era feita por um único cabo chamado coaxial.

Os vídeo cassetes, ainda importados, vinham com a tomada de três pinos, padrão americano. Dois pinos eram chatos, sendo um deles, geralmente, ligeiramente mais largo e o terceiro era cilíndrico.

Duas soluções a brasileira foram logo adotadas para resolver o problema, transformando o correto no errado.

A primeira solução foi cortar, leia-se quebrar, o terceiro pino (cilíndrico) e dar uma limada no pino chato mais largo para que a tomada de fábrica pudesse encaixar nos adaptadores conhecidos como “chato para redondo”.

Logo-logo a indústria brasileira percebeu que podia faturar mais um pouquinho “oferecendo” ao consumidor um adaptador capaz de transformar a tomada padrão americano com três pinos na tomada tupiniquim “da parede” que só aceitava dois pinos redondos.   

Pronto, já podíamos correr para a locadora e alugar a fita desejada ou comprar a pirata no “mercado popular”, isso, diga-se de passagem, porque somos contra corrupção.

Não vou me estender mais nestas reminiscências nostálgicas porque “esse papo já tá qualquer coisa” como diz a canção de Caetano de 1975.

A pergunta atual que não quer calar, cuja reposta pode lhe fazer economizar alguns reais de prejuízo é: – por que naquela época funcionava e não dava problema se ligássemos “de qualquer jeito” e hoje, nem sempre?

Sem querer transformar este post numa aula de engenharia elétrica a reposta mais simples que posso lhe oferecer está na maneira como as fontes de alimentação são projetadas atualmente. E quando digo “atualmente” quero dizer, há, pelo menos, uns trinta anos.

Não irei entrar em detalhes sobre as fontes de alimentação pois foge ao escopo do artigo que está voltado para o consumidor e não para os técnicos todavia, algumas coisa básicas que denomino de rede elétrica para leigos precisam ser analisadas.

Aqui vai um breve resumo mas, se você quiser se aprofundar um pouco mais no tema sugiro meu e-book O que todas as pessoas precisam saber sobre Eletricidade.

Como a eletricidade chega as nossas casas?

De uma forma bem simples podemos dizer que na entrada de nossas casas recebemos dois ou mais fios fornecidos pela concessionária de energia elétrica.

Tratarei neste post do fornecimento com dois fios apenas, que é o mais comum, em que um dois fios é chamado fase ou “vivo” (me inglês se diz line) e o outro é chamado neutro (que jamais deverá ser chamado de negativo ou de terra). 

Entretanto, a concessionária exige que tenhamos um “terceiro” fio chamado Terra, que é de responsabilidade do consumidor instalar.

Basicamente, o “terra” é uma haste metálica espetada no solo próximo do quadro de entrada de energia.

Por uma “manobra”, que não cabe detalhar aqui, a concessionária faz com que a diferença de potencial (tensão elétrica) entre o fio neutro e o fio terra (planeta Terra) seja igual a zero volt ou bem próximo disso.

Portanto, se tocarmos no fio neutro não levaremos choque uma vez que não há diferença de potencial (tensão ou voltagem)  entre o neutro e a Terra (chão), uma vez que nós estamos em contato com a Terra e assim não irá circular nenhuma corrente elétrica pelo nosso corpo.

E aqui cabe uma rápida observação: – o que realmente produz o choque elétrico (e pode nos matar) é a corrente elétrica circulando por nosso corpo.

Por que o aterramento (fio terra) é importante?

E por que antigamente não se dava muita importância ao aterramento (pelo menos no Brasil) e hoje se deve dar?

Numa resposta curta pode-se dizer: – por causa da eletricidade estática, entre outras causas.

Eletricidade estática, o que é isso?

Digamos que um “tipo” de eletricidade “invisível” que não é fornecido pela concessionária de energia (o lado bom é que não se paga por ela!), mas que sempre está presente no ambiente em maior ou menor intensidade.

Ocorre que os equipamentos eletrônicos modernos são muito sensíveis a eletricidade estática, daí a necessidade de se descarregar para a Terra está eletricidade “invisível” que pode prejudicar e até danificar os componentes eletrônicos dos equipamentos.

Ah! Então quer dizer que as pessoas são menos importantes que os equipamentos por isso, antigamente o fio terra não era necessário?

Deixo por sua conta tirar as conclusões, o fato é que ainda bem que, para salvar os equipamentos (e por tabela as pessoas), o aterramento se tornou obrigatório até nas instalações residenciais.

A instalação elétrica correta

De acordo com a Lei Federal nº 11.337 de 26/07/2006 que entrou em vigência a partir de dezembro de 2007 e estipulou em seu Art.1º que:

“As edificações cuja construção se inicie a partir da vigência desta Lei deverão obrigatoriamente possuir sistema de aterramento e instalações elétricas compatíveis com a utilização do condutor-terra de proteção, bem como tomadas com terceiro contato correspondente.”

Então, todas tomadas da nossa cassa devem (ou deveriam) ter três pinos aos quais serão ligados três fios independentes que partem do quadro de distribuição de energia a saber, um fio de fase, um fio neutro e um fio terra também chamado proteção (PE ou PEN).

A NBR 5410, norma da ABNT que estabelece no Brasil os critérios para uma instalação elétrica correta, exige que seu use fio da cor azul claro para o neutro e verde ou verde e amarelo para o aterramento. 

Respeitar esta norma com certeza vai ajudar bastante na hora de ligá-los à tomada de três pinos.

Um erro comum e muito grave

As tomadas brasileiras atuais têm três pinos, sendo que o pino central corresponde ao aterramento tecnicamente denominado PE ou PEN.

Aqui abro um parênteses para os interessados que desejem entender sobre aterramento, de forma simplificada, e sugiro que CLIQUE AQUI para ler um post meu sobre o assunto.

Este terceiro pino que é “novidade” por aqui já existia nos equipamentos importados cujas tomadas já tinham este pino para aterramento.

Se a sua instalação não tem o fio de aterramento, não cometa o erro muito comum e grave de ligar o pino do neutro da tomada junto com o terceiro pino.

Neste caso, o “menos ruim” é deixar o terceiro pino sem ligação.

Voltando a questão do HDMI

Após esta rápida explicação sobre a instalação elétrica vamos retomar a questão principal do post.

O primeiro passo, espero que você já esteja convencido, é verificar sua instalação elétrica, em particular, a(s) tomada(s) onde seus equipamentos com HDMI são ligados.

Se a “tomada da parede” não for de três pinos padrão brasileiro, comece trocando-a por uma tomada “oficial” e de boa qualidade.

Como eu disse anteriormente, se não tiver o “fio terra” na sua instalação deixe o terceiro pino sem ligação mas, tenha certeza de que o neutro e a fase estão ligados corretamente na tomada.

Você pode se guiar pela fig.1 ou observar que na parte de trás da tomada há uma letra N próximo ao pino que corresponde à ligação do fio neutro (azul).

Fig. 1 – Tomada padrão brasileiro

Como ligar vários equipamentos numa tomada só

Se você está pensando em usar aquele “famoso” benjamim adianto que não é uma boa ideia, ou melhor, é uma péssima ideia.

Neste caso a melhor opção é utiliza uma régua/extensão de tomadas como a sugerida na fig.2 e que alguns chamam, erradamente, de filtro de linha.

Fig.2 – Extensão Legrand

O importante é comprar um produto de marca reconhecida e que tenha certificação compatível com as normas técnicas.

O exemplo da fig.2 mostra uma extensão da marca Legrand em conformidade com as seguintes normas NBR NM 247-5, 14136 e NM 60884-1.

O mesmo fabricante tem uma outra opção que vemos na fig.3 que incorpora uma chave liga/desliga que pode ser útil nestes tempos de contas de energia que não param aumentar.

Fig. 3 – Extensão de tomadas Legrand com interruptor

A posição das tomadas a 45° facilitará a instalação de adaptadores de energia como utilizados, por exemplo, em vídeo games.

O terceiro pino, mesmo que não esteja aterrado, servirá como guia para que todas as tomadas dos equipamentos sejam ligadas que modo a manter fase e neutro ligados corretamente.

E o filtro de linha, não seria melhor?

Certamente esta uma pergunta que você gostaria de fazer.

Todo equipamento eletrônico de qualidade, como televisores, monitores, notebooks, receivers de áudio e vídeo, já trazem um filtro de linha incorporado.

Esquece os “filtros de linha” baratinhos vendido por aí que nada mais são que uma régua de tomadas, geralmente, de pior qualidade que uma boa extensão como as das figs.2 e 3.

O HDMI não vai mais queimar minha tv?

Isto seria o mesmo que perguntar: – se eu tomar vacina não vou pegar COVID e morrer?

A prática tem mostrado que não é bem assim, como estamos aprendendo, vai depender das comorbidades de cada um mas, as chances de quem está completamente imunizado não adoecer gravemente aumentam muito.

Eu diria que uma boa instalação elétrica é uma “vacina” para que o conector HDMI evite a queima dos seus equipamentos, a depender das “comorbidades” de cada um.

Já tomei as duas doses da CORONAVAC, mas só saio de casa em casos extremos, uso máscara PF2 e não me meto em aglomerações.

Eu, como um bom fã de Galileu, acredito no método científico e na ciência.

As medidas “não farmacológicas” para não queimar seu televisor

O tira e bota do cabo HDMI pode ser uma boa fonte de problemas e a provável causa da choradeira que vem depois.

Neste caso, a “medida não farmacológica”, é evitar este tira e bota do cabo HDMI usando um switch que permita que vários equipamentos fiquem ligados ao mesmo tempo.

Mas isto será assunto para a parte 2 de post.

Se puder, fique em casa e aguarde o próximo post.

Enquanto isso vai melhorando a sua instalação elétrica com ajuda das dicas que foram dadas.

Paulo Brites

Técnico em eletrônica formado em 1968 pela Escola Técnica de Ciências Eletrônicas, professor de matemática formado pela UFF/CEDERJ com especialização em física. Atualmente aposentado atuando como técnico free lance em restauração de aparelhos antigos, escrevendo e-books e artigos técnicos e dando aula particular de matemática e física.

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2 Comentários

  1. Henrique Grizotti

    Prezado professor, sigo a risca as normas de montagem das novas tomadas. Me perturba as vezes que alguns (pra não dizer todos) os fabricantes não tenham adotado o terceiro pino (terra/PE) em seus equipamentos. Muitos foram contra a mudança para o novo padrão mas se formos olhar pelo lado da segurança ela veio para o bem.
    Como sou meio cigano atualmente, onde a empresa for eu vou, toda casa que eu entro pra morar a primeira coisa que eu olho são as devidas “polaridades das tomadas e se não estiverem corretas, troco tudo e ponho no padrão.
    Vai que bruxa tá solta?!?!
    Abraços ao amigo.

    • Paulo Brites

      É isso Henrique, infelizmente as coisas boas no Brasil não pegam.
      Principalmente com as fontes chaveadas em que, às vezes, não há um bom isolamento entre primário e secundário deixa a desejar o terceiro pino passou a ser fundamental mesmo que seja apenas como guia.
      Você tem razão, como dizem os espanhóis “No creo en brujas, pero que las hay, las hay” !
      Abraços e vacina já!

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