Como eliminar as pilhas e a bateria no multímetro analógico SH-105

Eu já escrevi alguns artigos apresentando soluções para eliminar a famigerada bateria de 22,5V utilizada nos multímetros SANWA 320X, AF-105 e SH-105 mas, neste aqui vou mostrar como eliminar as pilhas e a bateria no multímetro analógico SH-105

Vou mostrar agora como eliminar as pilhas e a bateria no multímetro analógico SH-105.

No caso particular do SH-105 eu descobri que podemos eliminar simultaneamente a bateria de 22,5V bem como as duas pilhas AA de 1,5V.

Porém, já vou logo avisando que este recurso não funciona no 320X nem no AF-105 e você entenderá por que analisando os esquemas de cada um.

Comecemos com o SH-105 na fig.1.

Fig.1 – Esquema do multímetro analógico SH-105

Agora olhe as figs.2 e 3 do Sanwa 320X e do AF-105 respectivamente.

Fig.2 – Esquema do multímetro analógico SANWA 320X

Fig.3 – Esquema do multímetro analógico AF-105

Jogo dos 7 erros

Se você teve infância e brincou com este joguinho teve uma ótima oportunidade de desenvolver sua capacidade de observação, algo essencial para muita coisa na vida e, em particular, para o técnico reparador de eletrônica.

Aqui vai uma ajudinha.

No caso do SH-105 a bateria de 22,5V e as duas pilhas AA de 1,5V, estão ambas com o seu terminal negativo interligados os quais vão ao borne positivo para as medidas de ohms, tensão e corrente DC.

Aliás, isto explica por que precisamos inverter as ponteiras para testar diodos semicondutores e transistores bipolares com a escala ôhmica.

Entretanto, se olhar atentamente as fig.2 e 3 verá que a bateria de 22,5V está em série com as pilhas.

E é justamente essa mudança de configuração que irá nos obrigar a continuar usando as pilhas mesmo depois de substituir a bateria de 22,5V conversor DC-DC MT-3608 que já mencionei em outros artigos.

Mais uma vez, note que o borne positivo destes dois multímetros também está ligado ao negativo do conjunto bateria/pilha, logo será preciso inverter as ponteiras para testar diodos e transistores como no SH-105.

Isso não é uma regra geral, mas ocorre com a maioria dos analógicos.

Como eliminar as pilhas e a bateria no multímetro analógico SH-105

O primeiro passo é usar um conversor DC-DC up MT-3608 como o da fig.4 e que pode ser adquirido na Aliexpress CLICANDO AQUI ou na Bangood com este LINK.

Fig.4 – Conversor DC-DC UP MT3608

Eu já comentei sobre este módulo em outro vídeo do meu canal e por isso, não irei repetir aqui.

A novidade é que agreguei a ele um pequeno circuito para obter também os 3V que irão substituir, além da bateria de 22,5V, as duas pilhas AA no SH-105.

A maneira mais simples de fazer isso seria usar um diodo Zener de 3V em série com o respectivo resistor de controle de corrente.

O “circuito” seria alimentado pelos mesmo 5V oriundos de um recarregador de bateria de celular que utilizarei para alimentar o módulo conversor DC-DC MT-3608 e produzir os 22,5V.

Acompanhe na fig. 5.

Fig.5 – Circuito com diodo Zener

Desisti da ideia, embora ela fosse a mais simples e barata, porque não tinha em casa um diodo Zener de 3V e provavelmente o leitor também não terá.

A próxima ideia que me ocorreu foi utilizar o regulador de tensão TL431 que é fácil de achar em qualquer sucata de fonte chaveada.

Entretanto, esbarrei num problema. A tensão de referência do TL431 é da ordem de 2,5V o que tornaria difícil ajustá-lo para 3V.

O próximo candidato foi o bom e velho LM317 “pau para toda obra”, ou melhor, regulador de tensão para todo circuito.

Sua tensão de referência de 1,25V o elegeu como o escolhido.

Veja o circuito na fig.6.

Fig.6- Circuito com LM317

Como o circuito tem apenas um resistor e um trimpot que será usado para ajustar em 3V a tensão de saída, eu montei “pendurado” na PCI do MT-3608 que aparece na fig.7 e encaixado no multímetro no local onde ficar a bateria de 22,5V.

Fig.7 – Montagem do MT3608 e LM317 no SH-105

Pronto! Adeus pilhas e bateria no multímetro SH-105.

No vídeo abaixo temos a montagem e alguns detalhes. Aguardo comentários e dúvidas.

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Paulo Brites

Técnico em eletrônica formado em 1968 pela Escola Técnica de Ciências Eletrônicas, professor de matemática formado pela UFF/CEDERJ com especialização em física. Atualmente aposentado atuando como técnico free lance em restauração de aparelhos antigos, escrevendo e-books e artigos técnicos e dando aula particular de matemática e física.

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2 Comentários

  1. Cristiano Ferreira

    Boa noite! Com os meus cumprimentos iniciais, quero parabenizá-lo pelo excelente trabalho!

    Tenho uma dúvida em relação a esses multímetros que considero verdadeiras relíqueas.

    Por que as grandes empresas com Sanwa e Hioki pararam de fabricá-los? Há grande necessidade desses instrumentos. Confesso que chego a pensar que existem formas mais eficazes de testar ssemicondutores.

    Obrigado pelo artigo!

    • Paulo Brites

      Sob o ponto de vista da acurácia da medida não se pode negar que os digitais, até mesmo os mais baratos, fornecem um resultado melhor.
      Por outro lado, sua produção se tornou mais fácil e portanto, mais barata.
      Empresas, cada vez mais, vivem de lucro.
      Realmente existem maneiras mais eficazes de testa semicondutores, a escala ôhmica dos analógicos, mesmos estas “raridades” é um quebra galho.
      O instrumento não nos dá a corrente de fuga e sim uma indicação, via resistência ôhmica da junção, que a corrente de fuga está acima do normal.
      Por outro, lado a maioria dos técnicos “reparadores” atualmente nem sabe o que isto. Quantos sabem qual a diferença de um instrumento de 20kohms/volt para um de 50kohms/volt?
      Acho que respondi porque pararam de fabricá-los.
      Acho que respondi porque as empresas pararam de fabricá-los.
      Obrigado pela participação com seus comentários e elogios. Aplausos fazem bem a ego!

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