search
top

Reparando lâmpadas eletrônicas e ajudando o planeta.

Reparando lâmpadas eletrônicas e ajudando o planeta.

Reparando LâmpadasEstas lâmpadas ficaram famosas em 2001 quando teve início a maior crise de energia elétrica no Brasil levando, inclusive, naquela época, ao racionamento.
As lâmpadas eletrônicas seriam a salvação do planeta, pois consumem menos energia.

Se não salvaram o planeta, pelo menos deram uma grande ajuda à indústria e ao emprego (na China). Alguém já viu uma lâmpada destas com a etiqueta “made in Brasil”?

Hoje elas começam a perder espaço para as lâmpadas de led, entretanto, ainda tem muitas delas por aí e que, como veremos, são passíveis de serem recuperadas.
Há tempos vinha pensando em fazer uma pesquisa sobre isto e, por isso fui guardando lâmpadas eletrônicas queimadas para uma futura “autopsia”, cuja hora chegou!

A primeira providência é separar a base da lâmpada do bulbo propriamente dito o que é bem fácil de ser conseguido.

Basta passar uma serra em torno de todo o cilindro plástico até conseguir uma fresta onde possamos introduzir uma chave de fenda e separar as duas partes.

Abrindo a lâmpada

Abrindo a lâmpada

Nunca é demais lembrar que esta operação, embora seja simples, deve ser feita com muito cuidado para evitar quebrar o bulbo e principalmente que você venha a se ferir.

Lâmpada aberta

Lâmpada aberta

O próximo passo será identificar os dois terminais dos filamentos e medi-los com o ohmímetro cuja resistência deverá ser menor em torno de 10 ohms.

Medindo o filamento

Medindo o filamento

Se uma destas medidas indicar que o filamento está aberto, não dá pra tentar reparar, mas minha sugestão é que você guarde a PCI porque é uma ótima sucata que inclui resistores de metal film de baixas resistências.

Uma questão observada é que, quase sempre, quando a parte posterior do bulbo está enegrecida, em geral, o filamento está aberto e aí “já era”.

Supondo que você deu sorte e nenhum dos dois filamentos está aberto, a chance de “ressureição” da lâmpada (afinal estamos na Páscoa) eu diria que é de 99% (1% para o caso do milagre falhar).

Antes de prosseguir vamos dar uma olhada num esquema de uma destas lâmpadas.
Se você está curioso é quer saber onde consegui isto, vou entregar o ouro: http://www.pavouk.org/hw/lamp/en_index.html

 

Esquema do circuito da lâmpada

Esquema do circuito da lâmpada

Repare no destaque que eu dei na entrada do circuito onde há um fusistor. O valor varia de uma lâmpada para outra, mas a primeira providencia agora é verificar se não está aberto.

Este fusistor está ligado entre o terminal central da lâmpada e a PCI e se ele estiver aberto há uma grande chance de encontrarmos componentes em curto tais como os transistores ou até mesmo algum capacitor de poliéster.

A placa tem poucos componentes, sendo alguns resistores SMD, o que torna fácil verificar um a um.

O ideal é possuir um bom número de lâmpadas guardadas para começar tentar a recuperação, pois assim você terá uma boa sucata para conseguir peças de reposição.

Eu tinha 12 lâmpadas queimadas guardadas esperando o ”dia do juízo final”. Destas apenas duas estavam com os filamentos bons.

Descartei os bulbos das outras dez, mas guardei suas PCIs, pois seriam a fonte de reposição de peças e comecei a trabalhar naquelas que tinham uma grande chance de serem salvas de ir parar num lixão e contribuir inocentemente para a poluição do planeta.

Uma delas estava com o fusistor aberto, enquanto a outra não.

Comecei pela que estava com o fusistor de 4R7 bom, mas que em compensação tinha um eletrolítico de 15 uF/200V “ligeiramente grávido”. Verifiquei todos os demais componentes e não encontrei nenhum em curto ou resistor aberto. Estava na hora de partir para o “agora ou nunca”. Troquei o capacitor e, eis que …“fiat lux”, ou seja, faça-se luz!

Com o senso de dever cumprido em alta, ataquei a outra do fusistor aberto que também estava com os dois transistores em curto e um eletrolítico de “sete meses”.

Por via das dúvidas e depois dos demais componentes devidamente conferidos e achados “nos conformes” foi só partir para troca dos “mal feitores” por outros bons retirados das sucatas (que ficaram e ficarão guardadas, é claro) e, novamente… “fiat lux”.

Vejam só, de 12 lâmpadas queimadas consegui recuperar duas. Nada mal.

Como eu disse no início do artigo, há tempos vinha pensando no assunto e a motivação final veio de um artigo que encontrei na Internet em um blog que eu sigo (www.jestineyong.com) onde o autor dizia ter recuperado 47 lâmpadas de um lote de 67 que foram doadas para uma escola gratuita mantida por um amigo para crianças carentes (fora do Brasil).

Uma inciativa interessante e que, quem sabe, pode servir de inspiração para algum leitor.

Até sempre

Técnico em eletrônica formado em 1968 pela Escola Técnica de Ciências Eletrônicas, professor de matemática formado pela UFF/CEDERJ com especialização em física. Atualmente aposentado atuando como técnico free lance em restauração de aparelhos antigos, escrevendo e-books e artigos técnicos e dando aula particular de matemática e física.

banner ad

Deixe seu comentário

top