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Os códigos dos transistores asiáticos

Os códigos dos transistores asiáticos

Durante muitos anos a indústria japonesa predominou na fabricação de semicondutores até que os coreanos também entraram no “clube” e entender os códigos dos transistores asiáticos pode ser de grande valia para o técnico reparador.

Japoneses e coreanos usam prefixos bem definidos nos códigos de seus transistores e entender a “lógica” deles pode ajudar o técnico a identificar preliminarmente, por exemplo, se um determinado transistor é bipolar ou FET e também se se trata de um NPN ou PNP, no caso dos BJT (Bipolar Junction Transistor) ou qual o canal do FET ou Mosfet.

Neste post darei algumas dicas sobre os códigos dos transistores asiáticos e de outros semicondutores. Vamos a elas.

Talvez a primeira delas seja identificar a logomarca estampada no corpo do transistor para descobrir quem é o fabricante e ter certeza que não é uma “verdade chinesa” como diz música do saudoso Emílio Santiago.

Identificado quem é “o pai da criança”  seguimos para o part number que no caso de todos os semicondutores japoneses é registrado no EIJA (Electronic Industry Association of Japan).

Por exemplo, se a Toshiba “inventa” o 2SD1555 este código pertence exclusivamente a Toshiba.

Quando vemos marcado D1555 (num transistor originalmente criado pela Toshiba) significa que este transistor não foi registrado na EIJA como acontece com os “clones” chineses, por exemplo, e não deve ser fabricado por ela o que não significa que não possa ter características “iguais” ao original.

Uma boa comparação seria dizer que o 2SD1555 é “de marca” e o D1555 é genérico e, portanto “deve ter” o mesmo “princípio ativo”.

Logo Toshiba

Logo Toshiba

Logo Toshiba

Logo Toshiba

Podemos afirmar que este transistor (ou remédio genérico) é ruim?

A resposta é – não sei, mas que não é original, com certeza não é.

Existem Chineses e chineses (com letra maiúscula e minúscula).

A maioria dos japoneses e coreanos são identificados com as letras A, B, C, D, J, H ou K usadas como prefixos seguidas por números (part number).

Todos os transistores japoneses têm o prefixo 2S ou 3S embora, dependendo do tipo de encapsulamento, isto não talvez não esteja estampado no corpo do transistor. Os coreanos utilizam KS ou KT (Samsung ou KEC).

Logo Samsung

Logo Samsung

Então se um transistor está marcado com C2316 não significa que ele seja um 2SC2316 fabricado originalmente pela Sanken, pois a Samsung também marca o KSC2316 como C2316 e um transistor é completamente diferente do outro, pois o da Sanken é um BJT NPN enquanto o da Samsung é um MOSFET Canal N como se pode concluir examinando o data sheet de cada um.

E como descobrir se o “Manuel” é japonês e o “Joaquim” é coreano ou vice-versa?

Neste caso a logomarca pode ajudar, se ela não estiver falsificada.

A “organização” dos japoneses

Há um princípio básico da administração que diz “a organização é metade da execução” que, obviamente, os estudantes brasileiros aprendem na faculdade, mas não seguem.

Aqui o lema é “quanto mais bagunçado melhor, por se ganha mais dinheiro”.

Mas, voltando aos japoneses veja como é fácil descobrir se um transistor japonês é PNP ou NPN ou ainda se é FET e qual o canal.

Veja a tabela abaixo.

Tabela com códigos de transistores japoneses

Tabela com códigos de transistores japoneses

Muitas vezes pensamos que comprar um componente numa loja autorizada de determinada marca é garantia que estamos comprando um produto confiável, mas infelizmente no Brasil nem sempre isto é verdade não por culpa da loja e sim porque, às vezes, o produto já chegou a eles por meio de um distribuidor do fabricante do semicondutor e no meio do caminho “coisas” podem acontecer.

Alguns transistores são os favoritos dos piratas por serem bastante procurados.

Aliás, não só transistores, mas também circuitos integrados “mais fáceis” de serem “fabricado” no fundo do quintal com é o caso de alguns amplificadores de áudio da família STK originalmente da Sanken.

Esta talvez muitas vezes seja a parte mais difícil do reparo, encontrar o componente verdadeiro.

Eu desisti de procurar aqui no Brasil. O último reduto confiável era a Farnell que desistiu da gente.

Eu já relatei aqui no blog situações em que eu só resolvi o problema quando o cliente aceitou comprar os transistores na Mouser nos Estados Unidos.

Quem pretende trabalhar com amplificadores e receivers de qualidade já deve informar previamente ao cliente destas dificuldades para não se meter em encrenca.

Eu faço assim, se o cliente quiser muito bem, se não quiser “beijinho e tchau-tchau”!

Técnico em eletrônica formado em 1968 pela Escola Técnica de Ciências Eletrônicas, professor de matemática formado pela UFF/CEDERJ com especialização em física. Atualmente aposentado atuando como técnico free lance em restauração de aparelhos antigos, escrevendo e-books e artigos técnicos e dando aula particular de matemática e física.

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