Covid19 – Conversa massa de pastel

Hoje não escrevo sobre eletrônica e afins, escrevo sobre “tecnologia”, a tencnologia de viver!

Sabe aquela conversa que você começa falando mal do Bolsonaro ou bem, depende de cada um. Tem flamenguista e corintiano, tem mangueirense e portelense, tem comunista, socialista, capitalista, “ista”isso  e “ista” aquilo.

No fundo todas as farinhas vêm do mesmo saco. O saco que o sapiens vem tecendo há milhares de anos, apenas mudando o tipo do fio.

Mas, como eu ia dizendo, a conversa massa de pastel é aquela em que de repente você está falando do filme de Bergman, da beleza da Liv Ulmann e porque não, da Catherine Deneuve de Buñel e alguém diz “isso não é do meu tempo”.

Pois é, isso é que eu chamo de “conversa massa de pastel” que quanto mais você estica mais pontas vão surgindo.

É aquela conversa de antigamente, antes do whats app, sentado à mesa da cozinha, que é o melhor lugar do mudo para se bater papo.

Melhor ainda, se for no meio da tarde ou depois do almoço com um copo de café na frente e quem sabe uns bolinhos de chuva ou broas de milho da vovó.

Aquela conversa despretensiosa que não leva a lugar nenhum ou leva a todos os lugares e que está acabando.

Surgiu aquela coisa de mandar mensagens via zap-zap, face book e instagram.

“Uniu” as pessoas virtualmente, mas acabou com o olho no olho, com o “cheek to cheek” da canção do Sinatra, o tête-à-tête dos franceses.

E de repente, vem o corona vírus, obriga as pessoas a ficarem em casa, a fazer o isolamento social.

E de repente, um viruzinho de gripezinha como diz o energúmeno negacionista e faz as pessoas não irem mais “se divertir” nos shoppings e consumir o que não precisam, mas que vale a pena porque está na promoção.

E de repente, vem esse viruzinho “chinês” como diz o outro energúmeno preconceituoso e faz as familiais ficarem trancadas dentro de casa e brincarem com as crianças de coisas simples como desenhar, fazer bonecos de miolo de pão, cantar cantigas de roda e tantas outras mais.

Coisas simples que não produzem lixo, mas produzem afeto.

É, mas uma hora destas o viruzinho da gripezinha vai ser vencido pela tecnologia do sapiens e de repente todos esqueceremos dos dias de sufoco trancados em casa sem poder ir ao Maraca gritar mengooooo, ou ir aos shoppings comer aquele fast food cheio de gorduras trans, com aquele copo de coca zero, (essa coca pode, paga imposto)  que não faz mal a saúde porque a propaganda assim o disse e todos acreditaram.

E aí é esperar pelo “ultra novo” corona vírus que o sapiens vai produzir para alavancar o “crescimento econômico” e compensar as perdas nas bolsas de valores daquela turminha que ganha dinheiro sem trabalhar e recebe o pomposo nome de “investidor”.

Quem sair dessa, como saiu, da peste negra de 1346 à 1353, da primeira guerra mundial de 1914 à 1918, da gripe espanhola de 1918, da segunda guerra mundial de 1939 à 1945, da “rosa radioativa estúpida e inválida” de Hiroshima e Nagasaki, de Ney Matogrosso, da guerra do Vietnam dos anos 60, do Afeganistão, do Estado Islâmico, e o que mais o sapiens inventar, será feliz sem saber.

Se gostou, comente, compartilhe. Se não gostou comente também, mas seja preconceituroso.

Paulo Brites

Técnico em eletrônica formado em 1968 pela Escola Técnica de Ciências Eletrônicas, professor de matemática formado pela UFF/CEDERJ com especialização em física. Atualmente aposentado atuando como técnico free lance em restauração de aparelhos antigos, escrevendo e-books e artigos técnicos e dando aula particular de matemática e física.

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2 Comentários

  1. Luis Baria

    Falou muito bem,professor Paulo e eu ainda complemento seu comentário sitando a pandemia brasileira de meningite em 1974 com 60 mil contaminados e 1200 mortos.Não dá para abrir um buraco no chão e enfiar a cabeça como uma avestruz e fingir que nada acontece.Cuiden-se e não saiam se não for para comprar comida.

    • Paulo Brites

      É isso meu caro não estou saindo nem para isso acabei de fazer compras nas Casa pedro e mander entregar
      Tudo que posso fazer on line faço.
      Abraços

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