A ponte que cai

A ponte que cai

Hoje não vou escreve sobre eletrônica, vou escrever sobre “tragédias”.

Costumo dizer que não existem tragédias, existem omissões.

Queda do elevado Paulo de Frontin 1971 -foto Jornal do Brasil
Queda do elevado Paulo de Frontin 1971 -foto Jornal do Brasil

Ontem, 21 de abril, caiu mais uma ponte no Rio. As pessoas ficaram muito consternadas e saíram falando mal dos governantes atuais como se estes fossem os primeiros a serem os culpados pelos descasos, a má administração do bem e do dinheiro público e da corrupção que está infiltrada no Brasil desde que os portugueses aqui chegaram.

O povo tem memória curta e a mídia mais ainda. Vamos regressar a novembro de 1971, onde os militares mandavam e desmandavam e toda a corrupção era colocada debaixo do tapete ou da bandeira e se alguém ousasse falar no assunto era chamado de conspirador ou comunista (ainda não existia o estado islâmico, nem os terroristas), aliás não sei se por coincidência ou não, ontem foi dia de celebrar Tiradentes que morreu enforcado (dizem no lugar de outro) porque era conspirador.

Em 71, “caía a tarde como um viaduto”, como escreveu  João Bosco em seu “hino” O bêbado e o equilibrista.

Não eram tempos de Eduardo Paz, de Pezão, de Cunha, de Renan, de Temer nem de Dilma. Eram tempos dos militares e naquele dia eles pararam de torturar e foram socorrer as vítimas do de desabamento, num ato de “patriotismo”.

“Patriotismo” que muitos hoje saem às ruas hoje vestindo roupa verde e amarela guardada desde a copa da Alemanha sete a um e cheirando a naftalina, pedindo que eles voltem para continuar a obra de destruição do Brasil que eles tiveram que interromper lá em 85 porque o povo queria mudanças e não suportava mais ficar nas mãos do FMI.

Os tempos do milagre brasileiro tinham chegado ao fim, até porque a diferença entre o milagre e a mágica é que esta acaba de repente, enquanto o milagre dura o tempo que quisermos (Fernando Sabino).

Pontes, prédios e presidentes irão continuar caindo aqui na Terra de Santa Cruz que depois virou Brasil.

Mudaram o nome do país, mas as pessoas continuam as mesmas.

Continuam gritando fora corruptos, enquanto furam a fila do banco de maneira “discreta” pedindo que seu amigo que está lá na frente pague a conta para ele ou dão um dinheiro pro guardar fazer vista grossa e fingir que não o viu avançar o sinal fechado cujos “cariocas não gostam” como diz Adriana Calcanhoto em sua música.

Talvez, um dia, a tecnologia nos dê uma mãozinha e faça uma mudança genética no nosso DNA e aí as pontes e os presidentes irão parar de cair.

 

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